A visão de mundo do PCB e sua forma de organização têm por base as referências teóricas de Marx, Engels, Lênin e outros pensadores revolucionários. Essas referências, no entanto, não são dogmas nem manuais, sobretudo no que se refere às formas de luta e de organização, que devem subordinar-se à política e às condições reais em que se dá a luta de classes, em cada momento histórico, em cada país e em cada contexto. A teoria revolucionária do PCB, portanto, não é cópia mecânica de qualquer modelo transposto para nosso país. O PCB se define como um partido de militantes revolucionários, que vão se formando na luta de classes, no processo de organização do proletariado, no estudo teórico do marxismo, da realidade brasileira e mundial e na perspectiva da construção da sociedade socialista, rumo ao comunismo.
O papel básico do partido comunista é contribuir para a elevação da consciência de classe dos trabalhadores, agindo na organização das lutas e na propaganda socialista em contraponto ao modelo de sociedade capitalista. A disputa ideológica que o Partido Comunista promove visa, entre outros, superar os marcos dos interesses puramente imediatos, economicistas, corporativos, para o nível da visão global da realidade, forjando, desta feita, a visão de mundo transformadora, capaz de hegemonizar um projeto político de construção da sociedade socialista. O partido, portanto, é a organização de classe capaz de promover a passagem do momento economicista e corporativo dos grupos sociais para o da consciência revolucionária. Lênin já dizia que a consciência socialista não brota espontaneamente das lutas populares e nem da indignação particular de uma parte do proletariado. Por isso destacava a importância do partido revolucionário e dos militantes comunistas para dirigir e orientar as massas revoltadas com as desigualdades e injustiças provocadas pelo sistema capitalista em uma mobilização consciente em prol do socialismo, como única alternativa capaz de solucionar os problemas vividos pela classe trabalhadora.
Já em 1922, ano de fundação do PCB, Santos tinha um núcleo do partido no centro da cidade, disputando zonas de influência com o anarquismo e o socialismo vulgar (de caráter essencialmente reformista). A primeira reunião do partido ocorreu em um chalé onde funcionava o Sindicato dos Canteiros, na Av. Bernardino de Campos próximo à Rua Carlos Gomes, onde foram lidos os vinte e um princípios da Terceira Internacional (Komintern).Em 1930, a mesma Santos conferiu um índice maciço de seus votos a Minervino de Oliveira nas eleições presidenciais: o candidato negro (nascido três anos após a abolição da escravatura), marmorista, sob a sigla do Bloco Operário Camponês (BOC, a qual encobria o PCB), era o candidato preferencial da classe trabalhadora, a despeito da polarização entre Julio Prestes e Getúlio Vargas. Segundo várias fontes bibliográficas, Santos colecionou os apelidos "Barcelona Brasileira", "Porto Vermelho", e "Moscou Brasileira", pois era considerada como um dos três principais núcleos do movimento operário do país. Em 1891 Santos foi inclusive o epicentro da primeira greve geral no Brasil. Santos também foi terra do abolicionista Silvério Fontes, considerado um dos primeiros marxistas brasileiros, fundador do Centro Socialista de Santos (1895), de modo que a escravidão foi derrubada em Santos no ano de 1886, dois anos antes da assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel; de Leonardo Roitman, sindicalista, vereador eleito em 1945 pelo PCB (quando o partido era o terceiro maior do Brasil) e impedido de assumir por se declarar abertamente comunista, além de ser despedido da Companhia das Docas em 1964 em virtude do Golpe Militar de 1964; entre muitos outros.
A Baixada Santista portanto, com Santos sendo sua metrópole regional, foi uma vanguarda da classe trabalhadora. Através do Porto de Santos desembarcavam um grande contingente de imigrantes europeus fortemente politizados que, saídos da Europa onde o capitalismo estava bastante avançado e as lutas mais aguerridas, possuíam utilíssima experiência que serviam de inspiração para as lutas em outras cidades do Brasil. Nas épocas áureas, o PCB chegou a ter centenas de células em toda a Baixada Santista, não só nas indústrias de Cubatão e o Porto de Santos, mas também em diversos locais de trabalho, moradia e estudo. O número de militantes e simpatizantes do partido também era bastante imponente em São Vicente (devido a presença dos comerciários) e no Guarujá (onde as contradições entre as classes são ainda mais evidentes que em outras cidades).A Ditadura Militar (1964-1985), principalmente por meio de seus atos institucionais, se perseguiu toda e qualquer tentativa de liberdade expressão até mesmo de pessoas sem convicção política definida, com os comunistas ela foi implacável - quer os organizados dentro do PCB (que decidiu atuar dentro do MDB), quer os organizados noutras agremiações políticas (como o PCdoB no início da década de 60) que eram favoráveis à guerrilha armada. Alguns comunistas dissidiaram-se do PCB e equivocadamente foram para a Guerrilha Armada inspirados nas revoluções chinesa ou cubana, sendo os mais duramente perseguidos inicialmente. Após o esfriamento da guerrilha, os militantes do PCB, na época chamado frequentemente de “O Partidão”, passaram a ser o alvo das perseguições sistemáticas e, no caso de nossa região, a maioria foi torturada, morta, ou se exilou para outros países como Itália, Espanha, Portugal, Cuba, e União Soviética. Santos foi talvez a única cidade do Brasil onde ao lado de sua costa houve um navio-prisão para onde eram destinados os resistentes da ditadura militar. As células do Partido minguaram-se, dando espaço para a regressão das conquistas de outrora junto da indústria, do porto, da educação, e do setor de comércio e serviços aqui na Baixada.
Com o fim da ditadura o partido adquiriu legalidade, mas suas idéias eram bastante recuadas. Isto se explica porque a cúpula do partido era composta por um grupo de liquidacionistas liderados por Roberto Freire (hoje no PPS, partido satélite do PSDB), os quais conseguiram inclusive barrar do partido inclusive o princípio do centralismo democrático. Livres em 1992 do jugo deste grupo, que queria liquidar o PCB para - na época - transformá-lo em um partido social-democrata através de um congresso espúrio, a esquerda herdeira do PCB precisou tomar a tarefa de reconstruí-lo do zero, pois o atual PPS se apropriou de quase todo o patrimônio do PCB como 'espólio'.
O vácuo do PCB foi preenchido com o crescimento do PT, partido originário da esquerda católica e do “sindicalismo de resultados” sobretudo do ABC Paulista, de onde surgiu Lula. O fim da União Soviética e a queda do Muro de Berlim também contribuíram para a queda de estima pelo marxismo junto do imaginário da classe operária. A fundação da CUT e as disputas eleitorais de Lula em 1989 – e na Baixada as eleições sucessivas dos prefeitos petistas Telma de Souza (1989-1992) e David Capistano Filho (1993-1996) em Santos, e Luca Pedro (1993-1996) em São Vicente – fez com que o o PT ganhasse ainda mais musculatura nos espaços preenchidos tradicionalmente pelo PCB nos movimentos de trabalhadores e estudantil. O PCB passou a sobreviver como aliado coadjuvante do PT na região. Em 2000 o PCB coloca na suplência da vereadora petista eleita Luzia Neófiti seu então secretário político, o qual foi efetivado no mandato por causa da morte da vereadora eleita devido a um câncer. Entretanto, o PT com o avançar dos anos dava cada vez mais evidências de um distanciamento cada vez maior da classe trabalhadora, teoria sacramentada com a posse de Lula em 2003.
Em 2005, ainda antes do estouro da notícia do "mensalão", o PCB rompe com o governo Lula entregando os poucos cargos que possuía, devido à frustração de não ver um governo de frente popular e de esquerda, e sim um governo comprometido com a "governabilidade" e a gestão do capital (posteriormente, em 2005, várias tendências e filiados avulsos do PT também o abandonariam). Este foi um dos fatores em que pesou as mudanças deliberadas pelo XIII Congresso do PCB (mudanças pelas quais nós da Baixada Santista fomos farol de referência por nossa postura entusiasta), provocando mudanças estratégicas e táticas no seio do partido. O PCB foi acusado de incendiário e sectário por várias forças de esquerda, até que a descoberta do mensalão evidenciou o acerto da análise do PCB, o que conferiu muita autoridade ao partido. Finalmente se dava a reconstrução revolucionária do PCB. Muitos dizem que de 2005 a 2008 (ano de seu último estatuto) o PCB deu passos de décadas em suas posições políticas comparando com o marasmo e o retrocesso causados pelo engessamento em que se situava: abraçamos o caráter revolucionário e o centralismo democrático, fizemos autocríticas sinceras, passamos a priorizar o militante em detrimento do 'filiado', adquirimos novas leituras do Brasil e do mundo. É um novo renascimento dos tantos que o processo dialético reservou ao partido, sinalizando um futuro auspicioso.
Em 2008, o PCB ainda embrionário na cidade lançou um candidato a vereador fazendo uma campanha bastante limitada e modesta. A despeito da verba restrita, dos limites de rotinas do então candidato impostos à campanha, e a dificuldade do partido de lidar com os ditames burocráticos das eleições burguesas, foi possível dialogar com setores da sociedade santista e conquistar simpatizantes do partido.
Em 2012, dada a realidade do partido, voltamos nossos esforços para a reorganização interna do partido, a promoção de cursos de formação política, e a organização da corrente sindical fundada pelo partido, a Unidade Classista. Nas eleições municipais, apoiamos informalmente as candidaturas do PSOL.
Neste ano de 2016, com muita humildade e ao mesmo tempo com o orgulho de pertencer à tradição de 1922, surgimos com a presente campanha plena de resistência, combatividade, e criatividade, aproveitando as fissuras do sistema para promover um conjunto de propostas fiéis ao nosso programa para que os munícipes conheçam a alternativa que oferecemos de organização da classe trabalhadora. Reforçamos que o PCB mantém sua independência de classe, não recebendo contribuições financeiras de empresas, dependendo somente de cotizações dos próprios militantes e doações de amigos do partido que são pessoas físicas, trabalhadores que não se organizam no partido mas dele são simpatizantes, portanto – por princípio nosso – não esperem de nós o circo de brindes, promessas assistencialistas, toneladas de santinhos sujando vias públicas, e aparatos de propagandas extremamente caros. Como costumamos dizer, após as eleições os outros partidos dormem enquanto o nosso intensifica as atividades, não esperem portanto que nos pautemos pelo calendário eleitoral.
A Declaração Política elaborada pelo Comitê Central eleito no XV Congresso, ocorrido em 2014, afirma: “A reconstrução revolucionária do PCB avança agora com um Partido renovado, dinâmico, presente nas diferentes frentes de luta da classe trabalhadora e em todas as regiões do país, coeso em torno de formulações precisas e princípios revolucionários, buscando organizar os trabalhadores em seus locais de trabalho e moradia, atento à conjuntura nacional e internacional e ciente da imensa tarefa e responsabilidade de representar os ideais do comunismo neste século”.
Este é apenas um recorte mínimo de uma história de mais de 94 anos de vida que, a despeito de alguns erros, demonstra a sinceridade de uma organização político-partidária de diversas contribuições para a sociedade brasileira. Para conhecer melhor o PCB, pedimos para que acessem nosso site nacional, nosso site regional, e leia nosso estatuto.

